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"Entre a vitória real e a moral há margem para todos os argumentos."
Carlos Drummond de Andrade
Olá! Este blog é dedicado à minha maior paixão, o futebol.
Aqui serão publicados meus escritos com dados, análises, críticas e opiniões acerca dos
principais acontecimentos desse esporte. Sempre
que possível, pretendo incluir notícias de campeonatos, seleções e clubes
estrangeiros,
além de informações sobre outros esportes que venham a ser convenientes. Tentarei
(em vão) equilibrar coração e razão, pois escrever movida pelo fanatismo é um presságio para um texto sem credibilidade, no entanto, como eu já disse, futebol é uma paixão
e isso me ajudará a escrever com afinco e entusiasmo!
Pra quem não identificou, o layout tem como tema o jogador Alex,
frisando sua passagem gloriosa pelo Palmeiras. Ele é quem eu posso chamar de
ídolo, pois o acompanho desde o Brasileirão de 97. Atualmente, mesmo longe do Verdão
[brilhando em gramados turcos pelo Fenerbahçe], continua a me maravilhar.
:: Perfil ::
"Cumpri o dever e não driblei o meu destino. Meu destino era amar o futebol. Amei-o."
Paulo Mendes Campos
Meu nome é Clarice e tenho 22 anos. Sou palmeirense e, na minha terra,
simpatizo com o Vozão, o Ceará.
Adoro qualquer esporte. Acho que o deleite de um atleta alcança o cume das sensações e é superior
a qualquer outro prazer.
Já gostei mais de Fórmula 1. Mesmo após a morte de Senna,
continuei acompanhando as temporadas. No entanto, durante a hegemonia de
Schumacher, comecei
a considerar a modalidade previsível
e enfadonha visto que não possuo tantos conhecimentos tecnológicos. O que
sempre me atraiu foi o aspecto esportivo: disputa, tática e talento
individual do piloto. Nos últimos anos, tento retomar o hábito de ver os
GPs.
Nunca sequer andei de patins, mas aprecio bastante assistir às
exibições de esportes radicais.
Preferia Paula à Hortência. Sou uma das únicas
pessoas que não criticou Guga em seu desejo obstinado de continuar jogando
mesmo com todos os entraves físicos. Defendo os estaduais e gosto de campeonatos
disputados por pontos corridos, apesar de não abominar competições com partidas
eliminatórias.
Já joguei futsal por muito tempo. Fui capitã, pivô titular e
camisa 10 da seleção do colégio. Parei por causa de um problema no joelho
(patela lateralizada). Minha meta é voltar a jogar. Desde que me
machuquei, venho sofrendo da abstinência. Sinto o vazio que tomaria
Camus sem o absurdo, Lispector sem suas epifanias e Gessinger sem sua
parabólica.
Caso alguém queira colaborar com um artigo sobre qualquer esporte, uma crônica, uma crítica,
o que for, por favor, pode entrar em contato comigo no e-mail caicinha@hotmail.com ou
aderir à comunidade
do Beijos Pra Torcida no orkut.
Se quiser saber mais sobre mim, acesse meu blog
pessoal.
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jogo termina: por isso ganha sempre."
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O
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João Cabral de Melo Neto
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O futebol brasileiro evocado da Europa
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Goleador
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Linha
de passe
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Eduardo Galeano
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"Bem-aventurados os que não escalam, pois não terão suas mães agravadas, seu sexo contestado e sua integridade física ameaçada, ao saírem do estádio.
Bem-aventurados os que não são escalados, pois escapam de vaias, projéteis, contusões, fraturas, e mesmo da glória precária de um dia."
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"Mais do que os homens lutam no gramado, há o espetáculo dos que trepam nas arquibancadas, dos que se apinham nas gerais, dos que se acomodam nas cadeiras de pistas. Nunca vi tanta semelhança
entre tanta gente. Todos os setenta mil espectadores que enchem um Fla-Flu se
parecem, sofrem as mesmas reações, jogam os mesmos insultos, dão os
mesmos gritos. Fico no meio de todos e os sinto como irmãos, nas vitórias
e nas derrotas. As conversas que escuto, as brigas que assisto, os ditos, as
graças, os doestos que largam são como se saía entre tanta gente. Todos os setenta mil"
José Lins do Rego
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venerdì, febbraio 17, 2006
por José Lins do Rego
Muita gente me pergunta: mas o que vai você fazer no futebol? Divertir-me, digo a uns. Viver, digo a outros. E sofrer, diriam os meus correligionários flamengos. Na verdade uma partida de futebol é mais alguma coisa que um bater de bola, que uma disputa de pontapés. Os espanhóis fizeram de suas touradas espécie de retrato psicológico de um povo. Ligaram-se com tanta alma, com tanto corpo aos espetáculos selvagem que com eles explicam mais a Espanha que com livros e livros de sociólogos. Os que falam de barbarismo em relação às matanças de touros são os mesmos que falam de estupidez em relação a uma partida de futebol. E então generalizam: é o momento da falta de espírito admirar-se o que homens fazem com os pés. Ironizam os que vão passar duas horas vendo as bicicletas de um Leônidas, as “tiradas” de um Domingos. Para esta gente tudo isso não passa de uma degradação. No entanto há uma grandeza no futebol que escapa aos requintados. Não é ele só o espetáculo que nos absorve, que nos embriaga, que nos arrasa, muitas vezes, os nervos. Há na batalha dos vinte e dois homens em campo uma verdadeira exibição da diversidade da natureza humana submetida a um comando, ao desejo de vitória. Os que estão de fora gritando, vociferando, uivando de ódio e de alegria, não percebem que os heróis estão dando mais alguma coisa que pontapés, cargas de corpos; estão usando a cabeça, o cérebro, a inteligência. Para que eles vençam se faz preciso um domínio completo de todos os impulsos que o homem que é lobo seja menos lobo, que os instintos devoradores se mantenham em mordaça. Um preto que mal sabe assinar a súmula, que quase que não é gente, assume uma dignidade de mestre na posição que defende, dominando os nervos e músculos com uma precisão assombrosa. Vemo-lo correr de um lado para o outro, saber colocar-se com tal elegância, agir com tamanha eficiência que nos arrebata.
Vi Fausto, aquele que o povo chamava de “Maravilha Negra”, dentro de um campo, com trinta mil pessoas, com os olhos em cima dele, vencendo adversários, distribuindo “passes” com o domínio de um mágico. Era um rei no centro do gramado, dando-nos a impressão que tudo corria para os seus pés e para a sua cabeça. Ouvi, outro dia, torcedor, homem do povo, dizendo: “Ah! Como o finado Fausto não aparece outro. Aquele comia a bola!”. Aí está bem a imagem verdadeira, a imagem que diz tudo. Comer a bola. É como se a bola fosse só dele, uma comida de seus pés de maravilha. O que havia em Fausto é o que há em Brailowsky; é a perfeição da virtuosidade, é gênio do artista que venceu as dificuldades com mais alguma coisa que o exercício. Fausto não era só o homem feito pelo treino, era o dono de uma fabulosa força nativa. O que dá a Brailowsky a sabedoria não é o cuidado com a sua preparação, é o seu poder de ser da música como um instrumento feito de carne e nervos. Um Fausto não se faz, nasce, projeta-se como obra de Deus.
Domingos é outro que é mestre desde os 19 anos de idade. Quando apareceu em Bangu vinha para ser o maior de todos os tempos, uma natureza de homem frio que trabalha como cirurgião. Não há na natureza dele o brilho, a cor. É um mestre do claro-escuro. Domingos é dos que gostam de machucar os nervos das multidões. Às vezes, ele brinca com fogo, arrasta o ser arco a perigos iminentes. E lento como se quisesse matar os fãs do coração, ele faz as suas “tiradas” que são verdadeiros golpes de vida ou morte. Domínio de nervos e de músculos que nos deixa orgulhoso da espécie humana.
Mas, mais do que os homens lutam no gramado, há o espetáculo dos que trepam nas arquibancadas, dos que se apinham nas gerais, dos que se acomodam nas cadeiras de pistas. Nunca vi tanta semelhança entre tanta gente. Todos os setenta mil espectadores que enchem um “Fla-Flu” se parecem, sofrem as mesmas reações, jogam os mesmos insultos, dão os mesmos gritos. Fico no meio de todos e os sinto como irmãos, nas vitórias e nas derrotas. As conversas que escuto, as brigas que assisto, os ditos, as graças, os doestos que largam são como se saíssem de homens e mulheres da mesma classe. Neste sentido o futebol é como o carnaval, um agente de confraternidade. Liga os homens no amor e no ódio. Faz que eles gritem as mesmas palavras, e admirem e exaltem os mesmos heróis. Quando me jogo numa arquibancada, nos apertões de um estádio cheio, ponho-me a observar, a ver, a escutar. E vejo e escuto muita coisa viva, vejo e escuto o povo em plena criação. Outro dia acabava de ler um artigo de Augusto Frederico Schmidt sobre clássicos e modernos. Jogava o Flamengo com o Fluminense. Era uma partida que os jornais chamavam de clássica. Então ouvi dois pretos na conversa: “é o que lhe digo, esta história de futebol ensinando demais dá em ‘lero-lero’. No meu tempo futebol se jogava no campo. E a gente via um Candiota, um Néri, um Mimi Sodré e fazia gosto. Agora não. O jogador entra em campo com o jogo mandado. E dá nisso, neste ‘lero-lero’.”
Ao o outro negro falou: “Qual nada. Isto é classe”. “Que classe, que coisa nenhuma. São uns mascarados”, foi dizendo o primeiro. “De que serve a classe se eles não têm fôlego?”
Ouviu-se um grito tremendo de todo o estádio. Era Domingos que fazia uma tirada como um toureiro que matasse um touro bravo.
“Este tem classes”, disse o primeiro negro.
“É mas tem fôlego também”, disse o segundo negro.
E aí estava todo o problema que eu e o poeta Schmidt debatíamos: Fôlego e Classe.
Salvo pelo Flamengo
por Paulo Mendes Campos
Desde garotinho que não sou Flamengo, mas tenho pelo clube da Gávea um dívida séria, que torno pública neste escrito. Em 1956, passei uma semana em Estocolmo, hospedado em um hotel chamado Aston. Era primavera, pelo menos teoricamente, havia um congresso internacional na cidade, os hotéis estavam lotados, criando contratempos para turistas do interior ou estrangeiros. A recepção do Aston, por exemplo, vivia sempre cheia de gente implorando por um quarto ou discutindo a respeito de uma reserva feita por telegrama ou telefone.
Estava há dois ou três dias na cidade, quando me pediram para receber um brasileiro e encaminha-lo ao hotel, onde lhe fora reservado de fato um apartamento. Era uma hora da madrugada quando entramos no hotel e me encaminhei até o empregado do balcão, dando-lhe o nome do meu amigo e lembrando-lhe a reserva. O funcionário, homem de uns sessenta anos e de uma honesta cara escandinava, tomou uma atitude estranha e difusa, que a princípio me surpreendeu e ia acabando por me indignar: ele não confirmava a existência da reserva, nem deixava de confirmar.
Como começasse a protestar, vi que seu rosto tomava uma expressão aflita; eu entendendo cada vez menos. Quando passei a exigir o apartamento com alguma energia, o homem, trêmulo, nervoso, pediu-me desculpas e trouxe afinal a ficha de identificação. Foi aí que vi levantar-se da penumbra de uma saleta contígua o gigante.
Se o leitor conhece um homem forte, mas muito forte mesmo, imagine uma pessoa duas vezes mais forte, e terá uma vaga idéia desse gigante que veio andando até nós, botando ódio pelos olhos e espetacularmente bêbado. O monstro passou por mim com desprezo e, agarrando o empregado pela gola do uniforme, entrou a sacudi-lo e insulta-lo em sueco. Às vezes, éramos arrolados nessa invectiva, pois o gigante nos apontava enquanto dizia coisas.
O empregado, demonstrando possuir um bom instinto de conservação, deixava-se sacolejar à vontade. Rosnando assustadoramente, o ciclope foi sentar-se de novo na saleta, onde só então dei pela presença de outro sujeito, também bêbado, mas sinistramente silencioso.É hoje, pensei. Sair do meu Brasilzinho tão bom, fazer uma viagem imensa, para ser trucidado sem explicação por um bêbado.
O fato de ser na Suécia, onde arbitrários atos de violência não são comuns, ainda tornava mais absurdo, um absurdo existencialista, o meu triste fim. Indaguei do empregado o que se passava. Ficou mudo. Insisti na pergunta, e ele, sussurrando desamparadamente, explicou-me que o gigante estava a pensar: primeiro, que não conseguira vaga no hotel por ser sueco e estar embriagado; segundo, que nós conseguíramos por ser americanos, norte-americanos.
Ora, se meu amigo de fato era meio ruivo, seu jeitão era mineiro; quanto a mim, se fosse americano, só poderia ser filho de portugueses. Por outro lado, o meu inglês amarrado não deixava a menor dúvida sobre a questão de ser ou não ser americano. Só mesmo um sueco bêbado em uma madrugada de neve e vento iria supor que fôssemos americanos. Mas agora era o próprio gigante que bradava para nós com sarcasmo e ira:
- American! American!
Fiquei um pouco mais esperançoso, acreditando que ele falasse inglês, e disse-lhe, exagerando minha alegria e meu orgulho por isso, que não éramos americanos coisa nenhuma, éramos brasileiros. Não entendeu ou talvez pensou que estivéssemos covardemente a renegar a nossa pátria, voltando a vociferar, em um esforço lingüístico que contraía todos os músculos de seu rosto:
- American! Dollar! No like!
As palavras em si significavam pouco, mas a maneira de exprimi-las era de um eloqüência que teria destruído Catilina muito mais depressa que os discursos de Cícero. Durante alguns minutos mantivemos os dois uma polêmica oratória nestes termos:
- American!
- No, brazilian!
- American!
- Brazilian!
Essa versátil discussão ia levar-me ao abismo, quando de súbito me pareceu que a palavra “brazilian” havia penetrado por fim em sua testa granítica. Descontraindo os músculos, o gigante me perguntou:
- Brazil?! No american? Brazil?
Não tinha certeza se ele estava me gozando, mas sua expressão era tão estranhamente deslumbrada e infantil, que afirmei cheio de entusiasmo:
- Yes, Brazil!
Ele se levantou, cambaleou, aproximou-se, apontou meu amigo:
- Brazil?
- Brazil, Brazil.
Veio chegando, sorrindo, em pleno estado de graça, e gritou com alma, como se saudasse o nascimento de um mundo novo:
- Flamengo!! Falmengo!!
Imediatamente, o gigante entrou em transe e começou a fazer problemáticas firulas com uma bola imaginária, mas dando a entender cabalmente o quanto ele admirava (admirava é pouco: o quanto ele amava) o malabarismo dos nossos jogadores.
O gigante se desencantara, virando menino. A certa altura, depois de fazer um passe de letra, parou e confessou-me com um orgulho caloroso:
- I Flamengo! I Rubens!
Ele não era sueco, não era gigante, não era bêbado, não era um ex-campeão de hóquei (conforme soube depois), era Flamengo, era Rubens. Depois cutucou-me o peito, tomado de perigosa dúvida:
- You! Flamengo?
Que o Botafogo me perdoe, mas era um caso de vida ou de morte, e também gritei descaradamente:
- Flamengo! Yes! Flamengo! The greatest one!
Clarice
06:54
Senta a pua, quebra o pau, manda brasa, solta a franga, sai de baixo, baixa a lenha, manda ver, roda a baiana!